segunda-feira, 14 de março de 2016

A Fotografia e o Cinema de Paul Strand (1890-1976)

Paul Strand (1890-1976), fotógrafo e cineasta americano, ajudou a estabelecer a fotografia enquanto forma de arte no século XX. Segundo ele, a fotografia tem por base uma objetividade que é a sua própria essência; tentar que ela seja pictoral é desrespeitar o medium. Para este artista, toda a fotografia pictoral é apenas 'natureza morta'.

Na fotografia abaixo, uma das mais conhecidas de Strand, deparamo-nos com a vida, com a cidade ela mesma:

Wall Street, por Paul Srand, 1915


Seis anos depois de ter tirado Wall Street, Strand juntou-se a Charles Sheeler para realizar a primeira sinfonia urbana americana que apresenta algumas estrofes do poeta Walt Whitman. Em Manhatta, assistimos à fotografia anterior posta em movimento (ver minuto 2.30):

Manhatta, por Paul Strand e Charles Sheeler, 1921

quinta-feira, 10 de março de 2016

"Anémic Cinéma", de M. Duchamp

De uns objetos chamados 'Rotoreliefs'...



... nasceu esta obra de arte contemporânea:



Anémic Cinéma, de 1926, é um filme de Marcel Duchamp (o único do autor de A Fonte), feito em colaboração com Man Ray. O seu caráter é, sobretudo, dadaísta, sem narrativa. Durante uns minutos, somos como que hipnotizados por discos rotativos que são atropelados por algumas mensagens escritas... É difícil? É. Mas vale a pena embarcar na experiência.

"Blow Up - História de um Fotógrafo"



Ficha técnica:

M/12 | 1h51m | Drama, Mistério, Triller

Ano: 1966
Realizador: Michelangelo Antonioni
Escritores: Michaelangelo Antonioni e Julio Cortázar
Elenco: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles

Esta semana, assisti a este filme que me surpreendeu pela sua dinâmica e fotografia. Antonioni conta-nos a história de um fotógrafo que, durante uma sessão num parque verde, acaba por captar algo imprevisível... É ao revelar as fotografias na sua câmara escura que "Thomas" (interpretado por David Hemmings) se apercebe que foi testemunha de um discreto homicídio... Assim morre a ideia de que a arte fotográfica tem sempre, por detrás, uma intenção.

Recomendo a todos os amantes de fotografia e cinema!


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sobre os Candidatos ao Óscar de Melhor Filme 2016

Agora que já vi todos os filmes que estão nomeados para o Óscar de Melhor Filme 2016, deixo-vos uma pequena apreciação pessoal sobre cada um deles:



Bridge of Spies, de Steven Spielberg

7.5/10




Spielberg gosta de realizar filmes com teor histórico (lembremo-nos de A Lista de Schindler ou O Resgate do Soldado Ryan, por exemplo) e ainda bem. Desta vez, o realizador debruçou-se sobre a Guerra Fria e a personagem 'James Donovan' (Tom Hanks que, como sempre, tem uma performance impecável), a quem foi incubida a difícil tarefa de levar a cabo negociações entre os EUA e a União Soviética. Gostei particularmente do retrato daquela que era a Berlim oriental da altura. O filme só peca pela sua duração. Contar-se-ia a mesma história, e bem, em muito menos tempo. No entanto, é de Spielberg e Spielberg merece sempre a nossa atenção.




Mad Max: Fury Road, de George Miller


6.5/10


Protagonizado por Tom Hardy e Charlize Theron, este filme de Miller tem cenas de ação de fazer o público aplaudir de pé. No entanto, também se consegue resumir em poucas palavras: deserto; água; gasolina. Não me parece que este Mad Max tenha muito a acrescentar à história do cinema. Mas esta é, claro, apenas a minha modesta opinião.




The Revenant, de Alejandro González Iñarritu

Um filme forte, violento, sangrento, que gira em torno da palavra ‘vingança’. Ao contrário da maioria, não penso que o filme valha os 8 em 10 pela história (há muitas do género) ou pelo desempenho de Leonardo DiCaprio (que merecia mais o Óscar pelo seu desempenho em O Lobo de Wall Street; este ano, o Óscar deveria ser levado novamente por Eddie Redmayne, que tem uma atuação deveras estonteante em A Rapariga Dinamarquesa). Vale 8 pela fotografia que é, absolutamente, sublime (Emmanuel Lubezki está de parabéns!). Há muito que não via nada do género. Penso que, ao mesmo nível, só mesmo A Árvore da Vida, de Terrence Malick.




Spotlight, de Thomas McCarthy



Filmes inspirados em histórias verídicas têm sempre uma vantagem: à partida, mexem mais com o coração e com as mentes dos espectadores. No entanto, há aqueles filmes que contam e, depois, há aqueles que sabem contar. Spotlight sabe contar. Do início ao fim. Os protagonistas ajudam (Ruffalo tem, a meu ver, o melhor desempenho da sua carreira), é certo, mas o encadeamento está, de facto, bem feito. Mais: numa época em que os meios de comunicação estão um pouco descredibilizados, esta obra de McCarthy faz-nos acreditar que ainda é possível crer num jornalismo sério.






The Martian, de Ridley Scott



Um filme sobre a inteligência, a destreza e a capacidade de sobrevivência. Matt Damon surge como uma estrela dentro do planeta vermelho. Contudo, teve azar, pois a concorrência para o Óscar de Melhor Ator Principal, este ano, é bastante forte.






The Big Short, de Adam McKay


Aqui está um filme aclamado pela crítica que, a meu ver, não merece, de todo, estar nomeado para Melhor Filme. História mal contada, factos ocultados, passagens e cortes desnecessários. Não acho grande piada a realizadores que, em vez de tentarem explicar o que é sério de uma forma séria ou até com algum sentido de humor (se calhar era isto que McKay queria, mas falhou), preferem chamar uma Selena Gomez para jogar Poker e dar-nos roda de burros. Desta película, só mesmo Christian Bale se safou.




Room, de Lenny Abrahamson



A surpresa. Um filme sobre o amor incondicional entre uma mãe e um filho que vivem enclausurados do resto do mundo. Diálogos profundos, olhares intensos, explicações dadas no momento certo. Brie Larson brilha, Jacob Tremblay, o pequeno ‘Jack’, fascina. Temos ator!






Brooklyn, de John Crowley

6.5/10
Um romance sobre uma jovem que emigra para conseguir ter uma vida melhor. É bonito, mas não tem nada de extraordinário para além do guarda-roupa e da performance de Saoire Ronan. E não, não merece estar na corrida ao Óscar de Melhor Filme.






Para terminar, deixo duas imagens de dois grandiosos filmes que foram esquecidos pela Academia de Hollywood e que mereciam, mais do que The Big Short ou Brooklyn, estar na corrida à estatueta dourada:








The Danish Girl, de Tom Hooper

9/10












Ex Machina, de Alex Garland

8.5/10








quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"It's a Wonderful Life" (1946), de Frank Capra




"What is it you want, Mary? What do you want? You want the moon? Just say the word and I'll throw a lasso around it and pull it down. Hey. That's a pretty good idea. I'll give you the moon, Mary".

"George Bailey" (James Stewart)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"Le Voyage dans la lune"

Imagem retirada de:


Ficha técnica:

Nome: Le Voyage dans la lune
Ano: 1902
País: França
Realização: Georges Méliès
Escrito por: Georges Méliès e Gaston Méliès


Ontem à noite, tive o prazer de ver o filme Le Voyage dans la lune, de 1902, uma obra de Méliès, precursor do cinema fantástico, baseada nas obras De la terre à la lune, de Julio Verne, e First Men in the Moon, de H. G. Wells. Considerado o primeiro filme de ficção científica, conta a história de homens que se arriscam numa viagem (feita numa nave que mais parece a bala de um canhão - mesmo gira!) até à lua. A cena da nave a penetrar um dos olhos da lua é hilariante e inovadora!
Já hospedados na lua (gosto da parte em que se tapam com as mantinhas), os bravos homens deparam-se com seres alienígenas, os primeiros de toda a história do cinema. Finalmente, e só para rematar este meu breve comentário a Le Voyage dans la lune, achei bastante curioso o facto de Méliès ter colocado mulheres (ver imagem, acima) a dirigir a entrada dos aventureiros na nave (terá sido uma escolha meramente ingénua?).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

"Em Hollywood..."

“Em Hollywood, tudo se negoceia, tudo se traduz e tudo se transforma nesse negócio; acordadas do seu ‘sono antropológico’, as culturas, as línguas, os génios, os mitos, as formas convergem para uma amálgama indiscernível e indescritível, para um desemesurado gag cultural, onde cowboys convivem com faraós, deusas gregas com gangsters, indígenas do Pacífico com burguesas cosmopolitas de Park Avenue. A terra de Hollywood (não o terreno ou o território, mas as ideias que neles se instalam ou que sobre eles pairam) é feita de associações, montagens, cruzamentos e permutas incessantes; é dessa terra mestiça que provém um filme ‘feito em Hollywood’.”

João Mário Grilo,
em A Ordem no Cinema, Vozes e palavras de ordem no estabelecimento do cinema em Hollywood.