quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Próximas Estreias (15 de fevereiro de 2018)

15:17 Destino Paris (2018),
de Clint Eastwood


O novo filme de Clint Eastwood conta a história verídica de três jovens americanos que evitaram um ataque terrorista num comboio com destino a Paris. Foram salvas, por eles, mais de 500 pessoas.


Black Panther (2018),
de Ryan Coogler


Mais um êxito da Marvel. Pantera Negra conta a história de "T'Challa", que volta a Wakanda, a sua casa, para subir ao trono na sequência da morte do seu pai. Mas surge um inimigo e a sua força enquanto rei é testada...


Alias María (2015),
de José Luis Rugeles


A história de "Maria", uma criança-soldado de 13 anos de idade que é recrutada pela guerrilha e que tem como missão entregar em segurança um bebé recém-nascido, numa cidade vizinha.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

"A Forma da Água" (2017). Uma Paixão Improvável.


Pontuação: 8,5/10

M/16 | 2h03 min. | Aventura, Drama, Fantasia

Título original: The Shape of Water
Realizado por: Guillermo del Toro
Escrito por: Guillhermo del Toro e Vanessa Taylor
Estrelado por: Sally Hawkins, Octavia Spencer, Michael Shannon, Richard Jenkins

If we do nothing, neither are we.
"Elisa" (em linguagem gestual).

Uma ode à diferença e um elogio ao cinema. É assim que caracterizamos o novo filme de Guillermo del Toro, A Forma da Água. Vencedor do Festival de Veneza 2017, esta obra transporta-nos até aos anos 60 do século XX, altura em que se desenrolava a Guerra Fria. Vemos, espelhada no grande ecrã, a não amistosidade entre americanos e russos, dois povos que correm, entre outras coisas, por um triunfo espacial magistral. No entanto, essa hostilidade está longe de ser a cereja no topo do bolo: afinal, não estamos perante uma história de guerra, mas sim perante uma história de amor. Aliás: perante um conto de fadas.
A obra de del Toro enceta com um pedido que é feito por um narrador ao espectador: vamos conhecer uma princesa sem voz. Quem será ela? Só a podemos descobrir se deixarmos para trás todo e qualquer preconceito, mais, se abrirmos o coração e deixarmos de considerar que a diferença é sempre feia e malévola.
"Elisa" (interpretada por Sally Hawkins, nomeada para o Óscar de "Melhor Atriz Principal") é a tal "princesa sem voz", uma empregada de limpeza de um laboratório de segurança máxima em Baltimore, EUA. A calmaria do seu trabalho finda quando, ao laboratório, chega um anfíbio capturado nas águas da América do Sul que acaba por ser mantido em cativeiro e submetido a vários experimentos laboratoriais. Quando se apercebe de que os cientistas, nomeadamente o vilão "Strickland" (interpretado por Michael Shannon), querem usar a criatura como cobaia num programa espacial, "Elisa" decide salvá-lo e, para isso, recorre à ajuda de "Giles" (Richard Jenkins) e "Zelda" (Octavia Spencer) (ver imagem infra), duas personagens que transpiram amizade e ternura. A parte do salvamento é, talvez, a pior do filme (ou será a daquele beijo final que lembra imediatamente os desenhos animados da Disney?), pois tudo é previsível e acontece num timing demasiado perfeito. Não obstante, não nos parece que haja mais defeitos a atribuir a esta obra.


Hawkins não é tão poderosa como Frances McDormand em Três Cartazes à Beira da Estrada, mas não deixa de merecer a nomeação da Academia de Hollywood. Ao contrário do que se imagina, a sua interpretação não revela fragilidade, infantilidade, inocência. Pelo contrário: "Elisa" é erótica e corajosa. Aquele momento em que pergunta ao seu vizinho, através de linguagem gestual, "o que sou eu? Mexo a minha boca, como ele. Não emito qualquer som, como ele..." arrepia, faz-nos pensar e acreditar. Depois, há todas aquelas palavras que saem dos seus movimentos calados que dizem tanto (veja-se a imagem infra, em que a personagem como que acaricia as gotas da chuva). 


Haverá alguém ou algum momento que sobressaia mais no filme do que "Elisa"? Por acaso, até há. Falamos, claro, daquela cena maravilhosa, romântica, sublime, retirada dos musicais dos anos 30: o momento a preto e branco em que a personagem principal dança com o seu amado, momento esse que, ofertando ao espectador o que de melhor o cinema tem, nos deixa com um sorriso nos lábios e uma lágrima no canto do olho.
Nomeado para 13 Óscares, incluindo o de "Melhor Guarda-Roupa" (cujo responsável é o luso-descendente Luís Sequeira) A Forma da Água é um misto de delicadeza, erotismo e violência que promete arrecadar algumas estatuetas douradas nas categorias mais técnicas (e, aqui, temos uma favorita: a de "Melhor Fotografia". Dan Laustsen deve ser aplaudido de pé, pois fez um trabalho exímio. Este filme nunca seria o mesmo sem os tons verdes, azuis e vermelhos que o pintam).

Próximas Estreias (8 de fevereiro de 2018)

Todo o Dinheiro do Mundo (2017),
de Ridley Scott



10 de julho de 1973. Um jovem de 16 anos é raptado em Roma, Itália. Pedem-se 17 milhões de dólares em troca da vida do rapaz. Um thriller baseado no livro biográfico Painfully Rich: The Outrageous Fortunes and Misfortunes of the Heirs of J. Paul Getty, de John Pearson, e protagonizado por Michelle Williams, Christopher Plummer e Mark Wahlberg.


As Estrelas não Morrem em Liverpool (2017), 
de Paul McGuigan


Setembro de 1981. Um drama sobre uma mulher que tem cancro na mama e que pede a um jovem com quem viveu um romance que a leva para a sua casa de família em Liverpool. Com Annette Bening e Jamie Bell.


Amor, Amor (2017),
de Jorge Cramez


Lisboa, 31 de dezembro. Uma história de amores e desamores protagonizada por Jaime Freitas, Eduardo Frazão, Ana Moreira, Margarida Vila-Nova e Joana de Verona.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

"The Post" (2017). Nem Streep nem Hanks o salvam.


Pontuação: 6.5/10

M/12 | 1h56 min. | Drama, Biografia, História

Título original: The Post
Realizado por: Steven Spielberg
Escrito por: Liz Hannah, Josh Singer
Estrelado por: Meryl Streep, Tom Hanks, Matthew Rhys


Ben Bradlee: So, can I ask you a hypothetical question?
Katharine Graham: Oh, dear. I don't like hypothetical questions.
Ben Bradlee: Well, I don't think you're gonna like the real one, either.


Baseado numa história verídica, The Post traz à liça a história dos Pentagon Papers, documentos que mostraram que houve vários presidentes americanos a mentir sobre o que se passou na Guerra do Vietname com receio de uma iminente humilhação.
A obra enceta com o analista militar “Daniel Ellsberg” (interpretado por Matthew Rhys) (ver a primeira imagem infra), que esteve em campo, a copiar secretamente milhares de páginas de relatórios de um estudo que foi feito sobre a referida guerra, estudo esse que prova que a Casa Branca passou muito tempo a enganar o povo americano. Apesar de ter sido o jornal New York Times a expor, primeiramente, o conteúdo desses mesmos relatórios, foi o Washington Post (ver a segunda imagem infra) que levou para a frente a investigação, comprometendo, seriamente, a palavra e o poder de Nixon, o presidente americano da altura. Os responsáveis pela redação do escândalo foram “Katharine Graham” (interpretada por Meryl Streep), a primeira mulher a liderar um jornal norte-americano, e “Ben Bradlee” (interpretado por Tom Hanks), o editor desesperado por ficar à frente da concorrência em matérias políticas.




Steven Spielberg está de regresso com uma obra que tem pontos positivos: a sua direção artística e a sua fotografia são excelentes, bem como a interpretação dos atores principais (mas aqui não há grande novidade, pois não?). Não obstante, há muitos diálogos sem sentido, o final é completamente desnecessário e o ritmo demasiado acelerado do drama não nos permite saborear o que ele tem de melhor. Acontece tudo tão depressa que não temos tempo para nos afeiçoarmos às personagens e aos conteúdos abordados, conteúdos, diga-se, de extrema pertinência e atualidade (a liberdade de imprensa, a defesa dos direitos da mulher...). Mesmo à la Hollywood, portanto.
Nomeado para o Óscar de “Melhor Filme” e “Melhor Atriz Principal” (é a 21ª nomeação de Meryl Streep), o novo filme do realizador de A Ponte dos Espiões (2015) fica muito aquém das expectativas (demasiado elevadas, talvez, devido aos nomes que o circundam).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

"Chama-me pelo Teu Nome" (2017). Da doçura dos alperces.


Pontuação: 8.5/10
M/14 | 2h12 min. | Drama, Romance

Título original: Call Me By Your Name
Realizado por: Luca Guadagnino
Escrito por: James Ivory, baseado no romance de André Aciman
Estrelado por: Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg

"Call me by your name and I'll call you by mine."
- "Oliver"

Com o novo filme do siciliano Luca Guadagnino, Chama-me pelo Teu Nome - baseado no romance de André Aciman -, somos transportados para o verão de 1983, para uma mansão do século XVII, no norte de Itália. A calmaria sazonal a que o jovem "Elio" (interpretado por Timothée Chalamet), de 17 anos, estava habituado é abalada pela chegada de "Oliver" (Armie Hammer), um estudante americano que, por detrás do seu corpo atlético de 24 anos, revela uma cultura fora do comum, um amor à sabedoria que o leva, inclusivamente, a ler fragmentos do filósofo pré-socrático Heraclito à beira do rio. 
Contrariamente ao que se possa pensar, esta obra não é apenas mais uma "historinha" sobre relações homossexuais. É, sim, uma história, e belíssima, sobre o primeiro amor e a descoberta da sexualidade, não descurando o judaísmo dos protagonistas, tendo como pano de fundo paisagens italianas de cortar a respiração e sendo ainda aprimorada por algumas citações filosóficas que despertam os espíritos mais curiosos. Apesar de o desejo ser um tema recorrente dos filmes de Guadagnino, aqui, o realizador não se foca apenas no que é carnal, mas também no que é espiritual. Importa o que paira no corpo, mas também o que assola a mente das personagens. Importa acompanhá-las de perto. Importa atentar em cada nota tocada no piano de "Elio". Ou em cada nota da sua guitarra (ver imagens infra).

 

Chama-me pelo Teu Nome prima, sobretudo, pela performance dos seus atores (e não só dos principais): Chalamet tem sido nomeado para inúmeros prémios pelo seu papel como "Elio" (ator revelação, melhor ator principal,...) e merece, pois é exímio em tudo o que faz, nomeadamente naquela cena em que acaricia um pêssego sumarento do seu quintal (uma ideia que o realizador foi buscar ao cinema de Manuel de Oliveira); já Hammer faz tudo o que lhe foi pedido na perfeição - é enigmático, carismático e suscita o amor e a admiração de todos os que estão à sua volta. Para além dos dois jovens, há outros dois atores que têm um papel importante nesta obra: Michael Stuhlbarg, o pai de "Elio", professor de cultura greco-romana, e Amira Casar, a mãe "Annella", tradutora e fumadora compulsiva (ver os dois atores à esquerda, na imagem infra). 


Este novo filme de Guadagnino é um elogio ao amor, à sedução, à sensibilidade, à natureza, à obra de arte vista, falada e contada. É um elogio aos alperces, à língua, às estátuas da Antiguidade. É um elogio a tudo o que faz de um humano realmente humano. É pena terminar com um discurso não muito realista por parte do pai de "Elio". Não fosse esse exagero romanesco e estaríamos perante uma peça cinematográfica quase perfeita.
É importante ressalvar que Chama-me pelo Teu Nome é uma obra puramente sensual e erótica que aufere imagens que nem todos estão preparados para ver, muito menos para entender. Talvez seja precisamente neste aspeto que reside a sua maior beleza.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Óscares 2018 - Os Nomeados


Ficámos a conhecer, no início desta semana, as nomeações da Academia de Hollywood para os Óscares 2018. O filme que está na linha da frente é A Forma da Água, de Guillermo del Toro, com 13 nomeações, inclusive a de Melhor Filme e Melhor Realizador (ver imagem infra), seguindo-se-lhe Dunkirk (8 nomeações) e Três Cartazes à Beira da Estrada (7 nomeações).

 

Ficaremos a saber quais são os vencedores da 90ª edição da entrega das estatuetas douradas já no próximo dia 4 de março de 2018.
Segue, em baixo, a lista completa dos nomeados.

MELHOR FILME:
Chama-me Pelo Teu Nome
A Hora Mais Negra
Dunkirk”
Get Out/Foge
Lady Bird
Linha Fantasma
The Post
A Forma da Água
Três Cartazes à Beira da Estrada

MELHOR ATOR:
Timothée Chalamet, por Chama-me Pelo Teu Nome
Daniel Day-lewis, por Linha Fantasma
Daniel Kaluuya, por Get Out/Foge
Gary Oldman, por A Hora Mais Negra
Denzel Washington, por Roman J. Israel, Esq.

MELHOR ATOR SECUNDÁRIO:
Willem Dafoe, por The Florida Project
Woody Harrelson, por Três Cartazes à Beira da Estrada
Richard Jenkins, por A Forma da Água
Christopher Plummer, por Todo o Dinheiro do Mundo
Sam Rockwell, por Três Cartazes à Beira da Estrada

MELHOR ATRIZ:
Sally Hawkins, por A Forma da Água
Frances Mcdormand, por Três Cartazes à Beira da Estrada
Margot Robbie, Eu, Tonya
Saoirse Ronan, por Lady Bird
Meryl Streep, por The Post

MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA:
Mary J. Blige, por Mudbound — As Lamas do Mississípi
Allison Janney, por Eu, Tonya
Lesley Manville, por Linha Fantasma
Laurie Metcalf, por Lady Bird
Octavia Spencer, por A Forma da Água

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:
The Boss Baby
The Breadwinner
Coco
Ferdinando
A Paixão de Van Gogh

MELHOR FOTOGRAFIA:
Blade Runner 2049 (Roger A. Deakins)
A Hora Mais Negra (Bruno Delbonnel)
Dunkirk (Hoyte Van Hoytema)
Mudbound — As Lamas do Mississípi (Rachel Morrison)
A Forma da Água (Dan Laustsen)

MELHOR GUARDA-ROUPA:
A Bela e o Monstro (Jacqueline Durran)
A Hora Mais Negra (Jacqueline Durran)
Linha Fantasma (Mark Bridges)
A Forma da Água (Luís Sequeira)
Vitória & Abdul (Consolata Boyle)

MELHOR DOCUMENTÁRIO:
Abacus: Small Enough To Jail
Olhares Lugares
Icarus
Last Men In Aleppo
Strong Island

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL:
Edith+Eddie
Heaven Is A Traffic Jam On The 405
Heroin(E)
Knife Skills
Traffic Stop

MELHOR MONTAGEM:
Baby Driver (Paul Machliss e Jonathan Amos)
Dunkirk (Lee Smith)
Eu, Tonya (Tatiana S. Riegel)
A Forma da Água (Sidney Wolinsky)
Três Cartazes à Beira da Estrada (Jon Gregory)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
Uma Mulher Fantástica (Chile)
O Insulto (Líbano)
Loveless (Rússia)
Corpo e Alma (Hungria)
O Quadrado (Suécia)

MELHOR CARACTERIZAÇÃO:
A Hora Mais Negra (Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick)
Vitória & Abdul (Daniel Phillips e Lou Sheppard)
Wonder — Encantador (Arjen Tuiten)

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL:
Dunkirk (Hans Zimmer)
Linha Fantasma (Jonny Greenwood)
A Forma da Água (Alexandre Desplat)
Star Wars: Os Últimos Jedi (John Williams)
Três Cartazes à Beira da Estrada (Carter Burwell)

MELHOR MÚSICA:
'Mighty River’, em Mudbound — As Lamas do Mississípi (Mary J. Blige, Raphael Saadiq e Taura Stinson)
‘Mystery Of Love’, em Chama-me Pelo Teu Nome (Sufjan Stevens)
‘Remember Me’, em Coco (Kristen Anderson-lopez e Robert Lopez)
‘Stand Up For Something’, em Marshall (Diane Warren, Lonnie R. Lynn e Diane Warren)
‘This Is Me’, em O Grande Showman (Benj Pasek e Justin Paul)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:
A Bela e o Monstro (Sarah Greenwood e Katie Spencer)
Blade Runner 2049 (Dennis Gassner e Alessandra Querzola)
A Hora Mais Negra (Sarah Greenwood e Katie Spencer)
Dunkirk (Nathan Crowley e Gary Fettis)
A Forma da Água (Paul Denham Austerberry, Shane Vieau e Jeff Melvin)

MELHOR CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO:
Dear Basketball (Glen Keane e Kobe Bryant)
Garden Party (Victor Caire e Gabriel Grapperon)
Lou (Dave Mullins e Dana Murray)
Negative Space (Max Porter e Ru Kuwahata)
Revolting Rhymes (Jakob Schuh e Jan Lachauer)

MELHOR CURTA-METRAGEM:
Dekalb Elementary (Reed Van Dyk)
The Eleven O’clock (Derin Seale e Josh Lawson)
My Nephew Emmett (Kevin Wilson, Jr.)
The Silent Child (Chris Overton e Rachel Shenton)´
Watu Wote/All Of Us (Katja Benrath e Tobias Rosen)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM:
Baby Driver (Julian Slater)
Blade Runner 2049 (Mark Mangini e Theo Green)
Dunkirk (Richard King e Alex Gibson)
A Forma da Água”(Nathan Robitaille e Nelson Ferreira)
Star Wars: Os Últimos Jedi (Matthew Wood e Ren Klyce)

MELHOR MISTURA DE SOM:
Baby Driver (Julian Slater, Tim Cavagin e Mary H. Ellis)
Blade Runner 2049 (Ron Bartlett, Doug Hemphill e Mac Ruth)
Dunkirk (Mark Weingarten, Gregg Landaker e Gary A. Rizzo)
A Forma da Água (Christian Cooke, Brad Zoern e Glen Gauthier)
Star Wars: Os Últimos Jedi (David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Stuart Wilson)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS:
Blade Runner 2049 (John Nelson, Gerd Nefzer, Paul Lambert And Richard R. Hoover)
Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Christopher Townsend, Guy Williams, Jonathan Fawkner e Dan Sudick)
Kong: Ilha da Caveira (Stephen Rosenbaum, Jeff White, Scott Benza e Mike Meinardus)
Star Wars: Os Últimos Jedi (Ben Morris, Mike Mulholland, Neal Scanlan e Chris Corbould
Planeta dos Macacos: A Guerra (Joe Letteri, Daniel Barrett, Dan Lemmon e Joel Whist)

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO:
Chama-me Pelo Teu Nome (James Ivory)
Um Desastre de Artista (Scott Neustadter e Michael H. Weber)
Logan (Scott Frank, James Mangold, Michael Green)
Jogo da Alta-Roda (Aaron Sorkin)
Mudbound — As Lamas do Mississípi (Virgil Williams e Dee Rees)

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL:
Amor de Improviso (Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani)
Get Out/Foge (Jordan Peele)
Lady Bird (Greta Gerwig)
A Forma da Água (Guillermo Del Toro e Vanessa Taylor)
Três Cartazes à Beira da Estrada (Martin Mcdonagh)

sábado, 13 de janeiro de 2018

Três Cartazes à Beira da Estrada (2017). Que a Justiça seja feita.


Pontuação: 9/10

M/16 | 1h55m. | Crime, Drama

Título original: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Realizado por: Martin McDonagh
Escrito por: Martin McDonagh
Estrelado por: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell


"I don't care if you never did shit or never saw shit or never heard shit.
You joined the gang. You're culpable." 
- "Mildred Hayes




Não percebia todo o alarido em torno de Três Cartazes à Beira da Estrada até o ver, ontem, no cinema. Estamos perante um filme que venceu 4 Globos de Ouro no dia 7 de janeiro, já conta com outros 64 prémios, 149 nomeações e é um dos nomes mais apontados pela imprensa especializada para os Óscares deste ano. Digo-vos: merece tudo.

Com realização de Martin McDonagh, esta obra, estreada nas salas de cinema portuguesas no passado dia 11 de janeiro, gira em torno de um caso não resolvido pela polícia local. “Mildred Hayes” (interpretada por Frances McDormand) é uma força da natureza, uma mãe que exige justiça e que, para levar a sua avante, não tem meias medidas. Ao passar pela estrada onde a filha foi violada, queimada e assassinada, lembra-se de alugar os espaços publicitários que lá se encontram por forma a chamar a atenção das autoridades das quais não tem notícias há mais de 7 meses. Nos três cartazes que se encontram à beira da referida estrada, passam a ler-se as seguintes frases: “Raped while dying” (“violada enquanto morria”), “and still no arrests?” (“ainda nem uma detenção?”), “how come, Chief Willoughby?” (porquê Chefe Willoughby?).


A ideia para este filme nasceu há 17 anos, quando o realizador McDonagh, ao viajar de autocarro pelos Estados de Georgia, Florida e Alabama, viu cartazes a pedir que fosse feita justiça. E é mesmo isso que se pede nesta obra estonteante, alarmante, sarcástica, onde nem a Igreja se livra de críticas pejorativas. Pede “Mildred”, pede o chefe “Willoughby” (interpretado pelo grande Woody Harrelson; cf. imagem supra) e, depois de uma grande reviravolta na sua personagem, pede “Dixon” (Sam Rockwell, brilhante). “Mildred” é, como já se disse, interpretada pela atriz Frances McDormand que tem, aqui, uma exibição fora de série; o seu sofrimento é tão duro, tão real, as veias de raiva e de ódio que se vislumbram no seu pescoço são tão verdadeiras que é impossível o espectador não ficar assoberbado. Não obstante, Harrelson e, sobretudo, Rockwell, não lhe ficam atrás (cf. imagem infra; ao meio, com o Globo de Ouro que venceu no papel de "Melhor Ator Secundário"). Este filme é feito por este trio magnífico que nos comove, revolta, assola e ainda faz rir (sim, é verdade; faz mesmo!). 


Três Cartazes à Beira da Estrada é um filme que prova que o cinema de qualidade ainda não pereceu. A sua fotografia e a sua banda sonora são medianas, mas o seu conteúdo e o seu elenco de luxo permitem-nos voltar a sentir num mundo onde quase já ninguém sente.