terça-feira, 9 de abril de 2019

"The House That Jack Built" (2018), de Lars von Trier


M/18 | 2h32m. | Crime, Drama, Terror

Realizado por: Lars von Trier
Escrito por: Lars von Trier
Estrelado por: Matt Dillon, Bruno Ganz, Uma Thurman


"If you feel like screaming, I definitely think that you should."
- "Jack" (interpretado por Matt Dillon)

Depois de um drama que fez muito boa gente levantar-se da sala de cinema e ir embora (sim, eu estava lá e vi com os meus olhos), um drama de seu nome Anticristo (2010),  Lars von Trier traz outro filme não menos chocante e, de certa forma, esgotante. The House That Jack Built passa-se na década de 7o e tem como cenário os EUA. Conta a história de um serial killer que toma os seus crimes como obras de arte. Ao longo de 12 anos, são mortas mulheres que são só isso, mulheres... Comuns, normais, banais... Mas que dão regozijo a "Jack", um homem que tem a sorte de chover no momento certo...

segunda-feira, 8 de abril de 2019

"Kursk" (2018). Orgulho assassino.


Pontuação: 6/10

M/14 | 1h57m. | Ação, Drama, História

Título original: Kursk
Realizado por: Thomas Vinterberg
Escrito por: Robert Rodat, Robert Moore (baseado no livro A Time to Die)
Estrelado por: Matthias Schoenaerts, Léa Seydoux, Peter Simonischek, Colin Firth


"Deixem-nos ajudar.
Com os nossos homens e os nossos meios,
eles serão resgatados em poucas horas..." -
"Comandante David Russell" (Colin Firth)

Todos conhecemos a história de Kursk, o submarino que afundou no mar de Barents a 12 de agosto de 2000. Não obstante, nem todos nos lembramos de que a morte de alguns dos 118 homens que estavam a bordo poderia ter sido evitada não fosse o exacerbado sentimento de orgulho patriótico das autoridades russas (incapazes de reconhecer o seu enorme défice ao nível de equipamentos e de pessoas capazes de entrar em ação aquando de uma desgraça como esta). Confesso que não me recordava dos moldes da tentativa de resgate que este filme relata e, hoje, depois de ter visto esta película, preferia continuar na ignorância.


A mensagem que nos chega da obra de Thomas Vinterberg, realizador de A Caça, (2012) - um drama cinematográfico maravilhoso, corajoso, protagonizado pelo grande Mads Mikkelsen, protagonista da série Hannibal - é esta: a Rússia poderia ter salvo alguns dos homens que ficaram presos no mar recorrendo à ajuda internacional, nomeadamente da Inglaterra (na pessoa de "Russell", interpretado por Colin Firth, supra), mas preferiu ignorar a opinião pública. Assim, ignoraram também todas as mulheres e todos os filhos dos trabalhadores de Kursk que tiveram que aprender a lidar com o facto de viverem num país onde o receio da vergonha é maior que o amor à vida ("Tanya", interpretada por Léa Seydoux, infra, e "Misha", interpretado por Artemiy Spiridonov, representam algumas das vítimas da referida decisão governamental).


O que dizer das interpretações dos atores de Kursk? Nada de mais. Matthias Schoenaerts, o protagonista "Mikhail", é competente, mas não é extraordinário; Léa Seydoux a mesma coisa; Colin Firth não sobressai, mas também não ficou com um papel que lhe permitisse fazer muito mais do que aquilo que faz; já o pequeno Artemiy protagoniza, a meu ver, o momento catártico do filme, já bem perto do final (foi ele que me deixou atribuir a esta obra um 6/10. Obrigada, pequeno "Misha"!).
Já se tentarmos avaliar esta obra pelos seus aspetos formais, a mesma revela ficar muito aquém do que se esperava. A montagem não é extraordinária, a fotografia é básica, o som deixa tanto, mas tanto a desejar... Nas profundezas do oceano, poder-se-ia ter conseguido muito mais. Aliás, não é por acaso que películas históricas deste género costumam entrar na corrida ao Óscar de "Melhor Edição de Som". 
Fiquemos com a memória de Kursk e de todos os homens que deram a sua vida por uma pátria que não lhes soube agradecer, minimamente, os anos de trabalho e de dedicação.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Óscares 2019: os 5 preferidos


Será já na madrugada de segunda-feira, dia 25 de fevereiro de 2019, que iremos ficar a conhecer os vencedores dos Óscares 2019. A cerimónia ainda não aconteceu e já está a dar que falar: primeiro, porque não terá um anfitrião (já tinha acontecido o mesmo há 30 anos e correu mal); segundo, pela controvérsia causada pelos filmes nomeados – digamos que, finalmente (e felizmente!), temos algumas obras nomeadas que fogem ao padrão hollywoodesco.
O presente artigo serve para expor a minha opinião sobre as cinco obras nomeadas às quais atribuo maior pontuação.

1º - Roma, de Alfonso Cuarón (9/10)


‘Inesperado’ é o adjetivo que melhor encontro para caracterizar esta obra do mexicano Alfonso Cuarón, já galardoado pela Academia, em 2013, por Gravidade. Trata-se de um filme humano (talvez até, e utilizando a expressão de F. Nietzsche, ‘demasiado humano’), que aborda problemas reais, familiares e sociais; nesse sentido, parece que temos muitas referências ao neo-realismo italiano dos anos 40 (talvez tenha vindo daí a opção pelo preto e branco). A nível técnico, há que salientar a fotografia que é, simplesmente, sublime. Roma é o favorito nas categorias de “Melhor Filme”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Realizador” e “Melhor Filme Estrangeiro”.


2º - Green Book, de Peter Farrelly (8,5/10)


Se Roma não vencer o Óscar de “Melhor Filme”, então que vença esta obra de Peter Farrelly. Há elementos fundamentais que nos fazem apreciar ou odiar um filme: um deles é o seu enredo. Esta história, apesar de evocar uma temática que não é nova no mundo da sétima arte (o racismo nos anos 60, nos EUA), fá-lo com o devido respeito. Os protagonistas Viggo Mortensen e Mahershala Ali (que prestação incrível!) são exímios e o filme nunca seria o mesmo sem eles. Estamos perante outra obra humana, com sentido de humor e com a capacidade de fazer escorrer uma lágrima. Provavelmente, irá perder o Óscar de “Melhor Argumento Original” para “A Favorita”, mas merecia muito mais arrecadá-lo.


3º - A Star is Born, de Bradley Cooper (8/10)


Como peça cinematográfica, A Star is Born não é especial. É banal e não traz grandes novidades. Não tem uma fotografia por aí além nem uma montagem surpreendente. No entanto, consegue oferecer algo ao espectador que é, a meu ver, uma parte fundamental daquilo a que chamamos ‘filme’ – músicas lindíssimas (tudo indica que será Shallow a levar a estatueta de “Melhor Canção Original”). A par deste trunfo, temos duas personagens centrais que não nos permitem retirar os olhos do ecrã. Penso que é mesmo aqui que A Star is Born vence: pelas incríveis prestações de Bradley Cooper e de Lady Gaga.


4º - A Favorita, de Yorgos Lanthimos (8/10)


Mais um filme que vale, sobretudo, pelas suas prestações. Olivia Colman é espetacular e Rachel Weisz e Emma Stone não lhe ficam muito atrás. As três mulheres conseguem fazer com que o nosso olhar não se desprenda do grande ecrã. O guarda-roupa e a maquilhagem são outros pontos a favor desta obra, a fotografia não é nada má (aliás, parece ser ela a responsável pela nossa entrada na corte), mas depois há uns exageros que nos deixam com um certo desconforto: é mesmo necessário (e será que era assim?!) fazer com que as personagens utilizem uma linguagem tão grosseira, com piadas, por vezes, infelizes?


5º - Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer e Dexter Fletcher (6.5/10)


Uma obra cheia de incongruências que conduz o espectador em erro acerca de muitos aspetos da vida de Freddy Mercury. A explicação para isso? Certamente, o intuito comercial. Ainda assim, há coisas importantes que se salvam neste filme: o trabalho de guarda-roupa e de maquilhagem; a edição sonora; as eternas músicas dos Queen que não nos cansamos de ouvir; e, claro, a interpretação de Ramy Malek, possível vencedor do Óscar de "Melhor Ator", este ano.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

"Bohemian Rhapsody" (2018). Deturpar para entreter.


Pontuação: 6.5/10 


M/12 | 2h14 min. | Biografia, Drama, Música


Título original: Bohemian Rhapsody
Realizador: Bryan Singer, 
Dexter Fletcher
Escrito por: Anthony McCarten, Peter Morgan, Anthony McCarten
Estrelado por: Ramy Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee


"Being human is a condition which requires an anesthetic"
Freddie Mercury.

Quando vi Bohemian Rhapsody no cinema não conhecia, na altura, quase nada das vidas dos elementos dos intemporais Queen. Fui na ignorância, esperando, com isso, aprender  algo sobre a famosa banda (sim, o cinema também pode ser, a meu ver, um meio não meramente lúdico, mas instrutivo), em particular sobre o seu vocalista Freddy Mercury. A verdade é que fiquei encantada com a película. Encantada desde a primeira cena à cena final (ainda que tenha achado algo exagerado passar na íntegra a atuação dos britânicos no Live Aid – um concerto de solidariedade para com o problema da fome em África ocorrido em 1985). Entretanto, quis escrever uma crítica sobre o filme em questão e comecei a pesquisar mais sobre os Queen e sobre a obra cinematográfica em si. Hoje, sinto-me desiludida e até um pouco atraiçoada. Afinal, este trabalho pouco ou nada me ensinou. 


Comecemos pela relação entre Freddy Mercury (brilhantemente interpretado por Ramy Malek, em cima) e “Mary Austin” (intepretada por Lucy Boynton, em cima). Bohemian Rhapsody faz-nos acreditar que esta rapariga de ar celestial foi o grande amor da vida do cantor (e, de facto, ela foi crucial na vida dele, tanto que até teve direito à belíssima música “Love of My Life”). No entanto, pelo meio do noivado com “Mary”, “Freddy” teve casos com outras mulheres que são caídas no esquecimento. Também a relação entre o vocalista e “Jim Hutton” (Aaron McCusker) é completamente secundarizada – este homem só aparece nos minutos finais do filme e não lhe é dada, de todo, a devida importância (note-se que foi com ele que “Freddy” viveu até ao fim da sua vida). 
Outras omissões importantes: “Freddy” aparece como sendo o primeiro a tentar lançar-se numa carreira a solo e é visto pelo restante grupo musical como um traidor, mas, na verdade, o baterista “Roger Taylor” (Ben Hardy) - o real supervisionou mesmo a banda sonora deste filme, juntamente com o guitarrista Brian May - já tinha lançado dois discos sozinho. E disso... ninguém fala. 


Finalmente, por forma, talvez, a levar ao clímax o envolvimento emocional do espectador, o filme sugere que “Freddy” havia sido diagnosticado com HIV antes do concerto do Live Aid, mas, na realidade, pensa-se que a mesma doença só terá sido descoberta em 1987, ou seja, dois anos depois do referido espetáculo. É normal (e isso é algo que todos compreendemos, porque o cinema também é uma arte que quer emocionar, exaltar, arreliar...) que os cineastas modifiquem um ou outro pormenor nas histórias de cariz biográfico. Mas não é normal que as adulterem desta forma (chegamos a um ponto em que já não sabemos, de facto, em que é que podemos acreditar, se é que podemos acreditar em alguma coisa!). Se o filme é biográfico, então tem que seguir as biografias das suas personagens com o mínimo de rigor. 
Incongruências à parte, o que é que se salva nesta obra que começou a ser realizada por Bryan Singer e terminou com o trabalho de Dexter Fletcher (pouco ou nada mencionado)? Algumas coisas importantes: o trabalho de guarda-roupa e de maquilhagem; a edição sonora; as eternas músicas dos Queen que não nos cansamos de ouvir; e a interpretação de Ramy Malek, possível vencedor do Óscar de Melhor Ator, este ano. O seu preciosismo é inacreditável! Já se deram ao trabalho de ver a sua postura e as suas feições durante o concerto supra mencionado ao lado da postura e das feições do verdadeiro Freddy? É de arrepiar. É mesmo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

"Assim Nasce uma Estrela" (2018). Assim nascem duas.



Pontuação: 8/10 

M/14 | 2h16 min. | Drama, Musical, Romance 

Título original: A Star is Born 
Realizador: Bradley Cooper 
Escrito por: Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters 
Estrelado por: Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott, Dave Chappelle 


"Unless you get out there and try to do it, you'll never know.
That's just the truth." - "Jackson Maine" (Bradley Cooper)




Não seria possível dar mais que um 8 a esta obra uma vez que já é a quarta vez que a mesma história é adaptada ao cinema (a primeira foi em 1937 por William A. Wellman). Não obstante, Bradley Cooper, que, aqui, assume três papéis-chave – o de realizador, argumentista e ator principal – não desilude. Afinal, a sétima arte também é isto: contar os mesmos amores e desamores, ápices e frustrações, estrelatos e depressões de formas distintas.


Como peça cinematográfica, A Star is Born não é especial. É banal e não traz grandes novidades. Não tem uma fotografia por aí além nem uma montagem surpreendente. No entanto, consegue oferecer algo ao espectador que é, a meu ver, uma parte fundamental daquilo a que chamamos ‘filme’ – músicas lindíssimas. Músicas que contam muito, músicas que mexem com as nossas emoções e que não nos deixam indiferentes. A par deste trunfo, temos duas personagens centrais que não nos permitem retirar os olhos do ecrã. Penso que é mesmo aqui que A Star is Born vence: pelas incríveis prestações de Bradley Cooper (“Jackson Maine”) e de Lady Gaga (“Ally”).


Relativamente a Cooper, estamos habituados a vê-lo em filmes mais ligeiros como, por exemplo, A Ressaca; filmes que não exigiam metade daquilo que “Maine” exige. Decadentismo, desespero, dó ou piedade são algumas das muitas emoções que o protagonista nos faz sentir através do grande ecrã. Se tínhamos dúvidas quanto ao talento de Cooper, essas mesmas dúvidas dissipam-se ao assistir à sua performance neste que é o seu primeiro trabalho de realização.



Música. Cooper. E Lady Gaga, o terceiro elemento que faz parte da equação que é A Star is Born (grata por Beyoncé não ter ficado com o papel, como tinha sido falado, inicialmente!). Acredito que muita gente tenha ficado surpreendida ao ver a cantora no papel de atriz e tão bem. No meu caso, não fiquei muito, pois já tinha assistido, em tempos, a American Horror Story – Hotel, e tinha adorado. Ainda assim, a forma como a autora da canção Shallow (nomeada e possível vencedora do Óscar de “Melhor Canção Original” na cerimónia dos Óscares deste ano) prende a atenção do espectador não deixa de ser admirável. É com ela que ficamos a conhecer o pequeníssimo abismo que existe entre sermos nós próprios e tornarmo-nos em alguém que os outros querem que sejamos.
Assim Nasce uma Estrela poderia muito bem chamar-se “Assim Nascem Duas Estrelas e um conjunto de músicas que nem tão cedo iremos deixar de ouvir”. É um remake, mas é um remake que vale a pena.


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Óscares 2019 - Lista de Nomeações

Foi esta terça-feira que ficámos a conhecer a lista dos nomeados para os Óscares 2019. Os filmes Roma e The Favourite lideram a corrida com 10 nomeações cada.
A 91ª cerimónia de entrega das estatuetas douradas terá lugar no dia 24 de fevereiro, em Los Angeles. Até lá, há que ver as peças cinematográficas abaixo indicadas nas respetivas categorias.

Roma, de Alfonso Cuaron
A Star is Born, de Bradley Cooper
Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer e Dexter Fletcher

Melhor Filme
BlacKkKlansman
Black Panther
Bohemian Rhapsody
The Favourite
Green Book
Roma
A Star Is Born
Vice

Melhor Ator Principal
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (A Star Is Born)
Willem Dafoe (At Eternity's Gate)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book)

Melhor Atriz Principal
Yalitza Aparicio (Roma)
Glenn Close (The Wife)
Olivia Colman (The Favourite)
Lady Gaga (A Star Is Born)
Melissa McCarthy (Can You Ever Forgive Me?)

Melhor Ator Secundário
Mahershala Ali (Green Book)
Adam Driver (BlacKkKlansman)
Sam Elliott (A Star Is Born)
Richard E. Grant (Can You Ever Forgive Me?)
Sam Rockwell (Vice)

Melhor Atriz Secundária 
Amy Adams (Vice)
Marina de Tavira (Roma)
Regina King (If Beale Street Could Talk)
Emma Stone (The Favourite)
Rachel Weisz (The Favourite)

Melhor Realizador
Alfonso Cuaron (Roma)
Yorgos Lanthimos (The Favourite)
Spike Lee (BlacKkKlansman)
Adam McKay (Vice)
Pawel Pawlikowski (Cold War)

Melhor Argumento Original
The Favourite
First Reformed
Green Book
Roma
Vice

Melhor Argumento Adaptado
A Star Is Born
The Ballad of Buster Scruggs 
BlacKkKlansman
If Beale Street Could Talk 
Can You Ever Forgive Me?

Melhor Filme de Animação
Incredibles 2
Isle of Dogs
Mirai
Ralph Breaks the Internet
Spider-Man: Into the Spider-Verse

Melhor Filme Estrangeiro
Capernaum (Líbano)
Cold War (Polónia)
Never Look Away (Alemanha)
Roma (México)
Shoplifters (Japão)

Melhor Fotografia
The Favourite
Never Look Away
Roma
A Star Is Born
Cold War

Melhor Montagem
BlacKkKlansman
Bohemian Rhapsody
The Favourite
Green Book
Vice

Melhor Design de Produção
Black Panther
The Favourite
First Man
Mary Poppins Returns
Roma

Melhor Guarda-Roupa
The Ballad of Buster Scruggs
Black Panther
The Favourite
Mary Poppins Returns
Mary Queen of Scots

Melhor Caracterização
Border
Mary Queen of Scots
Vice

Melhor Banda Sonora Original
Black Panther
BlacKkKlansman
If Beale Street Could Talk
Isle of Dogs
Mary Poppins Returns

Melhor Canção Original
All the Stars (Black Panther)
I'll Fight (RBG)
The Place Where Lost Things Go (Mary Poppins Returns)
Shallow (A Star Is Born)
When a Cowboy Trades His Spurs for Wings (The Ballad of Buster Scruggs)

Melhores Efeitos Sonoros
Black Panther
Bohemian Rhapsody
First Man
Roma
A Star Is Born

Melhor Montagem de Som
Black Panther
Bohemian Rhapsody
First Man
A Quiet Place
Roma

Melhores Efeitos Visuais
Avengers: Infinity War
Christopher Robin
First Man
Ready Player One
Solo: A Star Wars Story

Melhor Documentário
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
RBG

Melhor Curta Documental
Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period. End of Sentence

Melhor Curta de Animação
Animal Behaviour
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

Melhor Curta
Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin

terça-feira, 15 de maio de 2018

Sugestão: "Primeiro, Mataram o meu Pai" (2017)

M/16 | 2h16 min. | Drama, História, Biografia
Países: Portugal, Polónia, Alemanha, França

Título original: First They Killed My Father
Realizado por: Angelina Jolie
Protagonizado por: Sreymoch Sareum, Kompheak Phoeung, Socheata Sveng

A história de Loung Ung (uma mulher que vive, atualmente, nos EUA e que faz campanhas para a ONG Compaign for a Landmine-Free World), uma criança de classe média que viveu, em tranquilidade, no Cambodja, até ao dia em que o regime comunista do Khmer Vermelho tomou conta do país. Baseado num livro autobiográfico lançado em 2000, o novo filme de Angelina Jolie é um retrato puro e duro de uma tragédia que passou despercebida aos olhos de muita gente, gente que ainda hoje desconhece a violência que assolou este lugar nos anos 70 do século XX. Eis como se pode aprender história com o cinema.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Sugestão: "O Capitão" (2017), de Robert Schwentke

M/16 | 118 min. | Drama, História
Países: Portugal, Polónia, Alemanha, França

Título original: Der Hauptmann
Realizado por: Robert Schwentke
Protagonizado por: Max Hubacher, Milan Peschel, Frederick Lau

Alemanha, 1945. Faltam apenas duas semanas para terminar a 2ª Guerra Mundial quando "Will Herold", um jovem de 19 anos, soldado alemão em fuga como tantos outros, encontra um uniforme de capitão abandonado. A partir do momento em que veste a farda, "Herold" começa a encarnar, na perfeição, a personagem que representa e comete uma série de atrocidades em nome de Hitler... O drama é apresentado, quase na totalidade, a preto e branco, e a edição de imagem é excelente. Uma co-produção da Alfama Films, de Paulo Branco, que passou ontem no Theatro Circo, em Braga, e merece, realmente, ser vista por todos os apreciadores de cinema.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

"Soldado Milhões" (2018). Uma bonita homenagem.


Pontuação: 7,5/10

M/12 | 1h25 min. | Biografia, História, Guerra

País: Portugal
Realizado por: Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa
Estrelado por: João Arrais, Miguel Borges, Carminho Coelho

No ano em que relembramos o fim da I Guerra Mundial pelo seu centenário (1914-1918), eis que Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa trazem ao grande ecrã uma obra que faz jus a um dos heróis desse mesmo conflito bélico. Soldado Milhões conta a história de "Aníbal Augusto Milhais" (João Arrais), um homem que, protegido por um lenço oferecido pela sua amada e guiado pela Nossa Senhora, contrariou ordens superiores e enfrentou sozinho (com a sua "Luisinha"), numa trincheira, as tropas alemãs, permitindo, assim, que os seus companheiros fugissem do campo de batalha sãos e salvos.


Na imagem acima, vemos a personagem principal com os seus amigos "Malha-Vacas", "Sabugal" e "Penacova". Apesar do cenário circundante, estamos perante seres humanos que, com as suas várias características, animam o filme, chegando mesmo a torná-lo mais humano (não demasiado). Acreditamos que foi também com o mesmo intuito que os dois realizadores supra mencionados optaram por intercalar as cenas de guerra (muito bem editadas, diga-se) com momentos profundamente enternecedores entre um "Milhais" bastante mais maturo (representado, e muitíssimo bem, por Miguel Borges; cf. infra) e a sua filha, muito orgulhosa filha, "Adelaide" (que olhos tão bonitos tem a pequena Carmilho Coelho!). E poderiam muito bem ter ficado por aí, pois a figura do lobo veio acrescentar... nada. Absolutamente nada. 


Já este filme acrescenta, e muito, ao nosso cinema e à nossa alma lusitana. À exceção de As Linhas de Wellington, que é uma verdadeira desgraça a todos os níveis, os portugueses, apesar de não disporem de tantos e tão sofisticados meios cinematográficos como outros cineastas estrangeiros, têm-se dado realmente bem quando tentam representar as lutas que travámos (lembremos o maravilhoso Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira, 2016). Não é que, a nível técnico, estejamos perante algo surpreendente... Mas estamos perante um produto artístico bem conseguido: bem filmado, bem montado, com uma ótima mistura de som e com personagens cheias de atitude. 


Foi na madrugada de 9 de abril de 1918, na Flandres, naquela que ficou conhecida como a Batalha de La Lys, que sucumbiram cerca de 7500 homens. Não obstante, foi também nela que o jovem soldado português Milhais passou a ser (ou a valer) "Milhões".

Felizes aqueles que relembram os nossos heróis. 

terça-feira, 10 de abril de 2018

Próximas Estreias (12 de abril de 2018)

Soldado Milhões (2018),
de Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa


No ano em que se assinala o centenário da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), lembramos, nos cinemas, o percurso do soldado Aníbal Augusto Milhais, um soldado que valia milhões. Eis um testemunho da participação portuguesa numa das Grandes Guerras.


Rampage - Fora de Controlo (2018),
de Brad Peyton


O primatologista "David Okoyeé" junta-se a um engenheiro genético por forma a criar um antídoto que resolva uma experiência genética que correu mal e que transformou George e outros animais em criaturas gigantes e furiosas. Um filme de ação e aventura baseado em "Rampage", um famoso jogo dos anos 80.


Winchester (2018),
de Michael Spierig e Peter Spierig


Para quem já tinha saudades de um filme de terror, estreia, esta semana, Winchester, com a grande Helen Mirren. É a 80 kms de São Francisco que se encontra a casa mais assombrada do mundo, um asilo para centenas e centenas de fantasmas com sede de vingança...

segunda-feira, 5 de março de 2018

Óscares 2018 - 90ª Cerimónia: Lista dos Vencedores


Melhor filme
"A Forma da Água"

Melhor realização
Guillermo del Toro - "A forma da água"

Melhor ator
Gary Oldman - "A hora mais negra"

Melhor ator secundário
Sam Rockwell - "Três cartazes à beira da estrada"

Melhor atriz
Frances McDormand - "Três Cartazes à Beira da Estrada"

Melhor atriz secundária
Allison Janney - "Eu, Tonya"

Melhor fotografia
"Blade Runner 2049"

Melhor argumento adaptado
"Chama-me pelo teu nome"

Melhor argumento original
"Foge"

Melhor filme estrangeiro
"Uma mulher fantástica"

Melhor filme de animação
"Coco"

Melhor documentário
"Icarus"

Melhor documentário em curta-metragem
"Heaven Is a Traffic Jam on the 405"

Melhor curta-metragem
"The Silent Child"

Melhor curta-metragem de animação
"Dear Basketball"

Melhor produção artística
"A Forma da Água"

Melhor montagem
"Dunkirk"

Melhor caracterização
"A hora mais negra"

Melhor guarda-roupa
"Linha fantasma"

Melhor banda sonora original
"A forma da água"

Melhor canção
"Remember Me" - "Coco"

Melhor montagem de som
"Dunkirk"

Melhor mistura de som
"Dunkirk"

Melhores efeitos visuais
"Blade Runner 2049"

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

"I, Tonya" (2017). Uma Vida Gelada.


Pontuação: 7/10

M/16 | 2h00 | Biografia, Comédia, Drama

Realizado por: Craig Gillespie
Escrito por: Steven Rogers
Estrelado por: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney


There's no such thing as truth. It's bullshit.
Everyone has their own truth,
and life just does whatever the fuck it wants.
- Tonya Harding


I, Tonya é mais um filme baseado em factos verídicos que mereceu a atenção da Academia de Hollywood sobretudo pelas prestações de Margot Robbie e Allison Janney, ambas nomeadas para os Óscares de "Melhor Atriz" e "Melhor Atriz Secundária", respetivamente. Acaba por ser uma película pertinente, principalmente nos dias de hoje, pois relembra-nos que desporto não é apenas futebol.



A nova obra de Craig Gillespie traz ao grande ecrã a história de "Tonya Harding" (Margot Robbie no seu melhor projeto, até hoje), uma jovem que, desde cedo, deu muitos frutos no seio da patinagem artística (bons e maus, dada a sua personalidade um tanto ou quanto tempestuosa). Além da vertente artística da personagem, o filme também nos coloca frente a frente com a violência verbal (que chegou a ser também física) da qual "Tonya" foi vítima, quer por parte da sua mãe, profundamente obsessiva (Allison Janney encarna o papel de progenitora diabólica na perfeição e merece o Óscar, no próximo dia 4 de março - ver imagem infra), quer por parte do seu marido "Jeff" (Sebastian Stan). Aliás, 'violência' é a palavra-chave deste drama que acaba por ter como clímax a agressão que a rival da personagem principal sofreu enquanto se preparava para os Jogos Olímpicos de 1994.


Estamos perante um projeto que merece o nosso aplauso no que à seleção musical e às filmagens no ringue diz respeito, mas que acaba por perder, e muito, com os vários cortes a que os depoimentos das personagens centrais obrigam. Não é que eles não sejam importantes para dar um pingo de realismo à história. Porém, o seu tom satírico é demasiado exagerado e a sua entrada é, não raras vezes, inconveniente e até irritante.


I, Tonya é um filme com duas prestações absolutamente fantásticas, mas com muitas cenas que não tiveram a merecida continuidade.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

"A Hora mais Negra" (2017). Filme de um só homem.


Pontuação: 6/10

M/12 | 125 min. | Drama

Título original: Darkest Hour
Realizado por: Joe Wright 
Escrito por: Anthony McCarten
Estrelado por: Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas


W. Churchill: "Those who never change
their mind never change anything."

Depois dos badalados Orgulho e Preconceiro, Expiação e Anna Karenina, Joe Wright traz-nos A Hora mais Negra, um filme que se complementa, e bem, com Dunkirk, de Nolan, também nomeado, este ano, para o Óscar de “Melhor Filme”. O argumento, da autoria de Anthony McCarten (A Teoria do Tudo), transporta-nos até 1940, altura em que a Europa atravessa um período negro devido à ascensão de Adolf Hitler e do nazismo. Winston Churchill, um brilhante estadista da época, é convidado a formar governo pelo Rei Jorge VI na sequência da demissão de Neville Chamberlain. Poucos dias depois da sua tomada de possa, o novo primeiro-ministro britânico vê-se obrigado a tomar uma decisão perante o seguinte dilema: ou assina, em nome do seu país, um tratado de paz com a Alemanha, ou declara guerra ao inimigo e luta pela liberdade dos seus.



Estamos perante um filme de diálogos, de palavras, de discursos. Nele, não há lugar para planos de ação. Também não há lugar para atores, apenas para um, porque na memória só nos fica Gary Oldman e a sua interpretação absolutamente estonteante. A sua fala, as suas expressões, a sua forma de fumar charutos, o seu andar, enfim, tudo nos lembra Churchill. O Óscar de “Melhor Ator” do próximo dia 4 de março é praticamente garantido e merecido.
Já no que respeita ao rigor histórico, esta obra merece um mero “suficiente”. Existem deturpações da realidade em prol das plateias “hollywoodescas”, sedentas de artefactos romanescos: a secretária de Churchill, "Elizabeth" (interpretada por Lily James), surge de forma completamente instrumental; no fundo, serve apenas para mostrar que o homem que esteve à frente do Reino Unido entre 1940 e 1945 tinha sentimentos. Porém, a cena mais grave é mesmo aquela em que Churchill consegue escapar dos seus seguranças e apanha o Metro (não, ele nunca o fez). É difícil não ficarmos comovidos com a forma como o político dialoga com os passageiros que o circundam, mas depressa a comoção dá lugar à desilusão. Quando falamos de filmes históricos, queremos retratos históricos fiéis. E A Hora mais Negra está longe da fieldade necessária.


Posto isto, estamos perante um filme de um só homem: Gary Oldman. Os 6/10 são para ele e para o excelente trabalho de caracterização, maquilhagem e cabelo. De resto, não há muito a aproveitar desta película.